sábado, 13 de junho de 2009

Sinestesia

Eu deixei que morresse em mim o desejo de amar os seus olhos que eram doces. E hoje você me dá a sua eterna raiva, e eu o meu cansaço. Não é mais em tuas mãos que penso pra aquecer-me desse frio que se prolonga por todas as tardes que despotam à minha janela. Me ocupo com outras coisas, seleciono tais pra não lembrar você, nem sempre funciona, mas meus dedos frios seguram o meu coração que é quente e gordo de amor. Amor pela vida, e por quem faz parte dela.
E eu espero que vás, encostes suas mãos quentes em alguma que possa fazê-las pegar fogo, que sejam de veludo para tocar sua pele sensível e que afague seus cabelos na hora em que ouvir uma bela melodia sua.
Reconheço, eram as minhas. Mãos e ouvidos. Reconheço, serão de outras. Pele e suor. Mas que não me deixes ver, a faca é cega mas ainda corta.
grande beijo, D.

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