sábado, 24 de janeiro de 2009

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces. Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida, e eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz. Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado. Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados, para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada, que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face. Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa. Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço. E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos... Vinícius de Morais


Um texo de Vinícius de Morais, o qual eu gosto muito. Sempre que eu o leio, fica muito dele em mim. Espero que faça o mesmo efeito em vocês. Have a good afternoon. Kisses, Dani.

Um comentário:

Gui Guilherme disse...

Então um pouco de você seria dar a mão, fazer com que "ele" se desabroche, mas ao se tornar um belo botão, você não colhe seus frutos, apenas o adimira, simples assim, você o adimira na ausência de nãpo estar ao seu lado, ou não dever estar ali...

Acho que me embolei comentando... mas vale =p

Apesar de não ser seu texto, você continua escrevendo bem ;)

=**